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O açafrão é obtido graças à colheita dos estigmas do Crocus Sativus Linnaeus, uma flor da família das Iridáceas. Suas pétalas são malvas e contem estames amarelos, além de três estigmas de cor vermelho intenso. E preciso pelo menos 150 000 flores para obter um kilo de açafrão.
O termo « açafrão » pode ter várias origens. Pois, pode provir do persa « Safra » ou do árabe « Za'faran » ou ainda do latin « Safranum » que todos designam a cor amarela (o açafrão dá uma cor amarela aos alimentos).
As origens do açafrão são turvas. Não se sabe onde crescia em estado selvagem nem quem o descobriu. Há quem acredita que teria aparecido primeiro no Próximo-Oriente. E contudo conhecido desde a mais alta Antiguidade. Encontram-se representações da colheita do croco em pinturas murais da época minoena, no palácio de Knossos na Creta.
No Egito era utilizado, particularmente pela rainha Cleopatra, como essência aromática bem como para as abluções nas cerimónias religiosas. Era também usado par tingir as togas de amarelo.
Os Gregos da Antiguidade apreciavam seu sabor e sua cor. Só os deuses e os herois podiam vestir roupa tingida com açafrão. Segundo a lenda, com 3 anos de idade, Artemis, deusa da caça, teria dito ao seus papai Zeus : « Quero um arco de prata, uma túnica de caça cor de açafrão com uma bordura vermelha, e 60 joven ninfas para cuidar dos meus cavalos ».
É mais tarde no X° século, que os Mouros introduziram o açafrão na Espanha. Foi, num primeiro tempo, utilizado na Europa como corante, depois como especiaria. Tornará-se ingrediente incontornável da cozinha hispano-árabe. Os cruzados participaram igualmente à introdução do açafrão na Europa.
O açafrão atinge a Grã-Bretanha na Idade-Média. E é no Renascimento que Venízia se torna a mais importante plataforma comercial do açafrão. Seu valor é tal que já nessa altura o açafrão é copiado.
Hoje em dia o açafrão conserva o seu título de « especiaria a mais cara do mundo ».
( "cueillettes des crocus", Palais de Knossos, Crête )
Daõ ao açafrão propriedades afrodisíacas. O poeta Homero conta que Zeus, o deus dos deuses, teve a idéia de deitar-se numa cama de açafrão a fim de aumentar as suas performâncias sexuais. Os Gregos utilizavam também o açafrão como remédio à insónia.
Os Romanos, do seu lado, utilizavam-no para desembriagar-se do vinho. Para tal, tomavam banhos de açafrão.
Na Índia ântica, uma crença queria que um copo de leite com alguns pistilos de açafrão permitisse um sono bom e sadio.
Enfim, os Árabes reconheciam-lhe virtudes anestesiantes e antiespasmódicas.
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